Hoje acordei meio fula da vida, em pleno sábado tinha que ir à faculdade fazer uma prova que cá pra nós, era mais interessante pra eles que pra nós alunos. Bem, não tinha muita escolha acabei tomando um banho e indo de ônibus, quarenta minutos de viagem e eu cheguei à faculdade pingando a suor, mesmo com a chuva de ontem (primeira em muito tempo, não anda chovendo muito por aqui) o tempo ainda está muito quente, mas durante a prova isso seria o de menos, na faculdade tem ar condicionado e muitos bebedouros espalhados pelo campus.
Acabou a prova e fui esperar o ônibus para casa, o calor continuava insuportável cheguei em casa pingando suor novamente resolvi tomar um banho gelado pra me limpar e me refrescar, algo normal, certo? Errado, durante o banho me lembrei dos meus quase vizinhos valadarenses que estão sem água a dias e cuja previsão é que continue assim por mais um mês, lembrei que eles não tem água nem pra beber quanto mais para se refrescarem desse calor que assola o leste de Minas. Me lembrei que enquanto eu relaxava com meu banho gelados eles estavam brigando pelas pacas doações de água que veem recebendo.

Se você não é mineiro ou não conhece alguém por aqui talvez nem mesmo saiba do que está acontecendo, pois a mídia nacional não faz questão alguma de cobrir, prefere virar suas câmeras para todo canto do mundo e cobrir a tragédia francesa ao invés de mostrar para o Brasil a desolação do povo mineiro. Não que eu não me compadeça dos parisienses neste momento trágico, mas é que tem gente aqui perto precisando do muito mais ajuda.

Bom, se você ainda não sabe o que está acontecendo eu explico, o capitalismo fez mais uma vítima e o nome dela é Rio Doce, esse rio que corta Minas Gerais e passeia pelo Espirito Santo até desaguar em Vitoria foi assassinado na semana passada pela mineradora SAMARCO. Uma de suas barragens se rompeu em Mariana e sua lama tóxica soterrou um vilarejo deixando vários mortos e desaparecidos além de várias famílias desabrigadas.

Como se isso já não fosse desastre suficiente a lama chegou ao Rio Doce e foi descendo rio abaixo causando danos irreversíveis ao rio, matando tudo que encontrava pela frente, inclusive o próprio rio. No sábado passado a lama chegou ao Vale do Aço (região em que moro) passando pelo Parque Estadual do Rio Doce (PERD) nossa reserva florestal de mata atlântica, e matou muita coisa por ali também. 

O vale do aço é um região predominantemente industrial e tivemos que ver uma de nossas mais importantes empresas parar toda sua produção pois não há como extrair água do rio pra manter a planta em funcionamento.

No dia seguinte, domingo, a lama chegou a Governador Valadares e infelizmente nossos amigos valadarenses não tiveram a nossa “sorte”. Nossa água é tirada do lençol freático, mas a deles vinha do Rio Doce e no estado atual do rio é muito difícil de tratar a água.

Há outras cidades em situação bastante semelhante e todas elas precisam de ajuda.

A tragédia se estende até chegar ao mar, o cheiro pútrido da lama tóxica, os peixes e outros seres ribeirinhos mortos, o desamparo de quem por algum motivo dependia do rio, a vida marinha que será afetada pela lama, o rio que nunca mais será o mesmo.

Ainda não sabemos quais serão as providencias tomadas pelos governos contra a empresa responsável ou a favor do rio, mas temos certeza que tem gente rio abaixo precisando da nossa ajuda. Se você é mineiro procure por postos de coletas e doe água para a população de Valadares e das demais cidades afetadas. Se você não é de Minas também pode ajudar divulgando para o resto do pais o que está acontecendo por aqui.





2 Comentários

  1. só sei que é muito dificil ver isso...coraçao apertado.....

    blogbrilhodasestrelas.blogspot.com

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    1. É muito difícil mesmo, imagina pra quem vive na região, pra quem de alguma forma dependia desse rio, não tá fácil a situação não.

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